por que Ganso e Neymar são essenciais à seleção de Mano
qua, 13/10/10
por André Rocha |
Nos 3 a 0 sobre o Irã em Abu Dhabi e os 2 a 0 sobre a Ucrânia em Derby, a seleção brasileira repetiu a postura ofensiva, a rápida e boa saída de bola e o correto posicionamento da retaguarda, apesar de algumas falhas individuais e erros na cobertura dos laterais Daniel Alves e André Santos.
Mas apesar dos desfalques e da compreensão que é apenas o início de um trabalho que já tem o enorme mérito de resgatar um futebol mais técnico e impositivo, o desempenho geral incomodou. A ponto do técnico Mano Menezes mudar a estrutura tática ao longo das partidas não para experimentar, mas por necessidade.
A grande diferença em relação à consistente atuação nos 2 a 0 sobre os Estados Unidos na estreia é óbvia, quase simplória: as ausências de Ganso e Neymar limitaram drasticamente a produção do ataque. Além da qualidade inquestionável, a dupla santista fez muita falta pelas características que se encaixam com perfeição à proposta de jogo e Mano não conseguiu encontrar em seus substitutos.
De início, o treinador brasileiro manteve a estrutura do período de treinamentos em Barcelona. Carlos Eduardo foi o escolhido para a articulação por dentro e Phillipe Coutinho fez com Robinho o trabalho pelos flancos no 4-2-3-1 canarinho. Apesar da agilidade e da intensa movimentação, requisito básico para dificultar a marcação, o trio de meias não teve a fluência necessária e em vários momentos isolou Pato entre os zagueiros.
Contra o Irã, a formação inicial repetiu a estrutura dos treinos em Barcelona: 4-2-3-1 com trio de meias se mexendo, mas isolando Pato.
Com Giuliano e Elias, a seleção cresceu no 4-3-1-2 e marcou mais dois gols nos iranianos.
Como na estreia, o gol de Daniel Alves logo no início descomplicou o jogo, mas não soltou de vez a equipe. Elias tem boa chegada à frente e acelera o jogo entre as intermediárias e Pato mais uma vez foi decisivo com sua crescente presença de área. Mas o time oscilou demais e travou não só pelo desentrosamento.
Nos 2 a 0 sobre a Ucrânia, a entrada de Elias não mudou o sistema de jogo e tornou o meio mais combativo e dinâmico. Mas Pato continuou muito solitário à frente.
Já Neymar funciona tanto pelos lados com velocidade e habilidade trabalhando com os laterais e voltando na recomposição quanto nas incursões em diagonal se juntando ao atacante de referência. Foi o DNA de artilheiro que empurrou o menino da Vila Belmiro para a área no gol de cabeça na estreia.
O time da estreia com Ganso e Neymar dando fluência e efetividade ao 4-2-3-1 é a base de Mano para a seleção.
No meio o problema é mais grave. Coutinho, Carlos Eduardo, Giuliano e Elias são técnicos e rápidos, mas não têm “cancha” nem estilo para a função. Alex do Fenerbahçe seria o melhor nome, mas já tem 33 anos e não atende a necessidade de renovação. Diego (Wolfsburg) pode ganhar uma nova chance, porém não tem exatamente as mesmas características de Ganso e seu histórico na seleção principal não é dos mais bem sucedidos.
A fase é propícia para testes e até quem não correspondeu plenamente pode ganhar novas oportunidades. Mas para o “amistoso” contra a Argentina em novembro, o retorno de Neymar após o justo e oportuno “alerta” de Mano se faz mais que necessário. Assim como a escolha certa para que a seleção se ressinta da ausência de Ganso, em fase final de recuperação, apenas por seu talento raro e, por isso, tão precioso.
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