domingo, 30 de janeiro de 2011

Corinthians 0×0 Tolima – O dilema alvinegro em 2011

qui, 27/01/11
por André Rocha |

É dever exaltar a correta atuação do time colombiano, que encaixou a marcação com um 4-1-4-1 muito bem executado e podia até ter saído do Pacaembu com vitória consagradora.
Destaque para o zagueiro Arrechea, que travou bom duelo com Ronaldo, o volante John Hurtado, bem plantado entre as duas linhas de quatro, e o meia Murillo, que se movimentou por todo o campo, prendeu Roberto Carlos na defesa em vários momentos do jogo e quase marcou belo gol em chute cruzado no início do segundo tempo.
Contudo, sem patriotada às avessas, é impossível não justificar o empate sem gols no jogo de ida da Pré-Libertadores com os muitos equívocos técnicos e táticos que travaram o alvinegro paulista e desesperaram a fiel e exigente torcida.
A começar pela ineficiência do 4-2-3-1 planejado por Tite com as peças disponíveis. Bruno César é técnico e criativo, mas não funciona como o meia central, principal articulador do setor ofensivo. O camisa dez corintiano não é o facilitador que toca simples e chama seus companheiros para o jogo com tabelas e triangulações.
Na segunda etapa, Tite tentou acertar o quarteto ofensivo trocando o posicionamento de Bruno César e Jorge Henrique. Faltou, porém, uma movimentação mais intensa da dupla e também de Dentinho, que quase nunca procurou as incursões em diagonal em busca de Ronaldo. Com isso, o atacante único no esquema, mesmo lutando bravamente contra a zaga e a pouca mobilidade por conta do excesso de peso, ficou encaixotado pela marcação e só ameaçou em duas cabeçadas.
Não basta que os três meias atrás do atacante troquem de posição durante o jogo. Eles precisam se mexer em progressão com a bola, aproveitar o espaço deixado pelo recuo do homem de referência, chamar os laterais e volantes para os deslocamentos e trocas de passes e criar os espaços.
O Corinthians também se ressente demais da ausência de Elias. Como meia ou volante, o agora jogador do Atlético de Madrid chegava ao ataque com dinâmica e timing que o bom Jucilei não possui por característica. Com Roberto Carlos preso atrás e Alessandro pouco inspirado, o time ficou previsível, sem um elemento surpresa, o passe diferente ou as ultrapassagens pelos lados que desmontam a marcação. Sobrou a bola parada, que Chicão quase acertou no final em bela cobrança de falta que passou raspando.
Para complicar, a defesa atuando em linha e abusando da tática do impedimento colocou o goleiro Júlio César em risco nos esporádicos contragolpes do Tolima. A equipe visitante até tentou avançar os meias Chara e Castillo e arriscar algumas infiltrações em diagonal no segundo tempo, mas faltou qualidade no passe final. É hora de repensar a estratégia defensiva que vem desde o final do ano passado. O prejuizo para o time brasileiro podia ter sido bem maior.
Além dos muitos problemas da formação considerada titular, Tite ainda sofre com as opções pouco confiáveis na reserva. Edno, Marcelo Oliveira e Danilo entraram acesos e correram bastante, mas pouco ou nada acrescentaram tecnicamente. Definitivamente, o Corinthians precisa ir ao mercado em busca de alternativas mais qualificadas para o ataque. Até porque não dá para contar com Ronaldo na maioria das partidas por noventa minutos.
No duelo em Ibagué que vale a última vaga do Grupo 7 e o semestre para o Corinthians, talvez a provável postura mais ousada do adversário em seus domínios conceda os espaços que os comandados de Tite precisam para compensar a falta de criatividade. Mas também pode criar sérios problemas para a insegura retaguarda que sente falta da liderança e do bom posicionamento de William.
Para resolver o dilema, é recomendável considerar a volta ao 4-3-1-2 do melhor momento alvinegro em 2011: os primeiros 45 minutos contra a Portuguesa na estreia do Paulistão. Com Paulinho na vaga de Jorge Henrique ou Dentinho reforçando a marcação e a saída de bola, e Bruno César mais à vontade na ligação, a vitória ou o empate com gols fora de casa parece mais possível na primeira decisão corintiana do ano.
Corinthians no 4-2-3-1 encaixotado pelo 4-1-4-1 do Tolima: pouca mobilidade e problemas técnicos travaram o time brasileiro.

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